Sobre a proibição dos crucifixos

No dia 06 de março o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul decidiu retirar crucifixos e demais símbolos dos espaços públicos dos prédios da Justiça estadual gaúcha. A determinação atende pedido da Liga Brasileira de Lésbicas. O que dizer sobre isso?

Não preciso defender com unhas e dentes a permanência dos símbolos, até porque defendo a idéia do estado laico, porém não posso deixar de lamentar o desejo intrínseco de afastar Jesus das decisões. Isso é preocupante, pois certamente a solicitação tem o objetivo de que as decisões em casos polêmicos como o aborto e o homossexualismo, não sejam influenciados pelos princípios cristãos.

Preocupa-me também que muitos dos chamados cristãos, mesmo usando crucifixos, esquecem dos ensinamentos de Jesus, sempre considerando as novas tendências e os desejos egoístas, configurando uma explícita hipocrisia.

A solicitação de retirada dos símbolos religiosos está embasada no fato de que o estado deve conferir liberdade religiosa e jamais impor religião. Concordo com isso.

Para exemplificar: Se moro em um apartamento, devo sempre ter a liberdade de usar um símbolo religioso em uma das paredes de minha moradia, como expressão de minha fé pessoal, porém não devo pendurar um símbolo na parede do corredor público do prédio, exceto se todos os moradores concordarem.

Convém dizer que esse princípio de separação da igreja (religião) do estado, é um princípio defendido pelos cristãos protestantes, entre eles Lutero, afinal Jesus disse: “daí a César (imperador) o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21). Caso contrário, na mesma parede em que está o crucifixo deveria se aceitar outros símbolos religiosos. Imaginem que confusão!

Por isso, podemos aceitar retirar crucifixos das paredes públicas – para que se mantenha a liberdade religiosa. Mas, jamais podemos aceitar que nos obriguem a tirá-lo de nossos corações, ainda que a conseqüência seja a forca, como no caso do iraniano Youcef Nadarkhani, condenado em seu país por ser cristão. Essa perseguição religiosa aos cristãos em países muçulmanos é a prova de que a liberdade religiosa é o melhor caminho.

O que não pode acontecer é querer que abandonemos princípios cristãos da importância da família, da defesa da vida, e da ordem natural, onde Deus criou o homem e a mulher, pois os princípios da criação perpassam a política e a religião.

A verdade é que, bem antes do crucifixo, devemos guardar e expor a mensagem da obra de Jesus consumada na cruz. Um amor que perpassa a análise de todas as leis e que faz com que julguemos efetivamente com justiça.

Rev. Ismar L.Pinz

Pastor da IELB em Pelotas, RS

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